Informação enviada por Antônio

 Home

Brasil

Sitiodesordos.com.ar

      Universidade para surdos em Porto Alegre RS
     O Centro de Estudos Surdos tem uma página na Internet - www.ulbra.br estudos surdos. lá existem
     várias informações oficiais sobre nosso trabalho. Sobre vossa entrevista, não tem problema, posso
     responder, desde que a FENEIS divulgue a fonte - e o autor das respostas. No caso Fonte CES -
     Diretor - Ottmar Teske

   Vou responder vossas perguntas com a condição de que ao serem divulgadas, necessariamente
   precisam fazer a referência e que o material produzido possa ser doado ao Centro de Estudos Surdos.
   Nesta condição - responda as questões abaixo: 
   01.Quantos alunos surdos estão cursando esta Universidade? E em quais cursos e períodos?

   Atualmente estudam 50 surdos na ULBRA, em 17 cursos diferentes. Segue em anexo um material
   sobre este assunto Histórico
   Ano 1995 e 1996

   Possibilitou-se a entrada dos Surdos na Universidade através do Vestibular onde a prova era realizada
   com acompanhamento de um Tradutor/Intérprete de Língua Brasileira de Sinais e a prova de Redação
   era avaliada a partir da construção lingüística própria dos surdos. Neste processo entraram três (3)
   surdos na ULBRA em diferentes cursos, Ed. Física, Geografia e Informática. Estes enfrentaram muitas
   dificuldades nas aulas e se comunicavam  precariamente (muito mal) com seus professores, colegas de
   sala e a Comunidade Acadêmica de maneira geral. Os preconceitos e estereótipos dos ouvintes em
   relação àqueles surdos eram os mais diferenciados e imagináveis. Isso ocorria pelo desconhecimento
   da cultura e da sociedade Surda.

   Ano 1997 e 1998

   A partir de 1997 estes surdos foram contatados por um professor que sugeriu para a Pró- Reitoria de
   Graduação a criação de um Núcleo de Estudos Surdos, hoje transformado em Centro Estudos Surdos.
   É importante salientar que todo esse esforço realizado, recebeu total apoio na época, pelo Pró-Reitor de
   Graduação, que possibilitou o comprometimento da Universidade como um todo para com esse projeto.
   Juntamente com o apoio oficial da instituição os estudantes surdos se organizaram e começaram a
   gerenciar este Núcleo, através de reuniões constantes com o Professor coordenador que servia com elo
   entre a Universidade e os alunos surdos. Isso possibilitou a contratação pela Universidade dos primeiros
   Tradutores/intérpretes de Língua Brasileira de Sinais. A partir dessa construção política e de 
   acessibilidade possibilitou-se que mais surdos pudessem ingressar nos diferentes cursos da ULBRA.
   Nos anos seguintes duplicou e triplicou o número de alunos surdos na Universidade. Porém com esse
   aumento de surdos surgem novos e mais complexos problemas. Os custos, a autonomia, a pesquisa
   etc. exigiram novos diálogos com a Instituição que foi aos poucos assimilando que este grupo era
   diferente e que necessitaria de um apoio diferenciado em todos os sentidos nos mais variados cursos.
   É importante salientar que através do apoio da Diretoria de Extensão da época, os surdos iniciaram os
   Cursos de LIBRAS (Língua Brasileira de Sinais) para a comunidade acadêmica e geral. A demanda por
   estes cursos era tão grande que necessitou-se abrir vários cursos e depois vários níveis desse curso.
   Isso possibilitava um campo de emprego dos próprios surdos da Universidade, que conseguiam pagar
   parte do seu curso com o recurso que entrava quando ministrava estes cursos de LIBRAS. Aos poucos
   fomos superando os problemas de custos e a falta de Tradutores/Intérpretes. Conquistou-se um espaço
   próprio para o Núcleo que seria um lugar dos surdos, gerenciado e administrado juntamente com os
   próprios surdos.

   Ano 1999

   Neste período aumentou muito o número dos surdos entrando na Universidade. Já ultrapassava vinte
   alunos surdos estudando em dez cursos diferentes. Os Cursos de Língua Brasileira de Sinais já haviam
   se consolidado, com um número cada vez maior de interessados em realizá-los. Muitos funcionários,
   professores (que recebem o curso gratuitamente), colegas ouvintes e a comunidade de forma geral
   tinham entrado em contato com a língua e a cultura surda. Isso possibilitou que nosso projeto pudesse
   avançar de forma rápida e consciente.
  
   Ano 2000

   O NES iniciou sua divulgação através da Internet. Com isso muitos surdos de outros Estados do Brasil
   entraram em contato conosco. Queriam informações sobre esse trabalho e queriam estudar por aqui. É
   importante lembrar que a ULBRA foi escolhida pelos surdos, o que tira a artificialidade do processo.
   Se existe um trabalho reconhecido nesta área é porque desde o começo Universidade e Comunidade
   Surda realizaram um intenso processo de diálogo e de trocas. Este é um dos princípios mais
   importantes que cultivamos até o momento. Entramos no século XXI com esta proposta de sentarmos
   na mesma mesa, debatermos a diferença, praticando a mesma. A intenção é possibilitar os surdos da
   Universidade sinalizarem cada vez mais por si discutindo com os ouvintes na diferença. Este debate foi
   aprofundado neste período, quando analisávamos os resultados das nossas primeiras pesquisas sobre
   Estudos Surdos. Nesta época começaram a chegar na ULBRA candidatos de Fortaleza-CE, Recife-PE
   Rio de Janeiro - RJ e de diversas regiões do Rio Grande do Sul. Iniciamos aulas só para surdos, como
   Sociologia, Português, Método Científico, juntamente com professores que conheciam LIBRAS.

   "Dentro da academia os surdos tem discutido estas falas, elas apareceram principalmente nas
   inúmeras entrevistas e filmagens realizadas pelos próprios surdos, e debatidos a exaustão depois de
   realizadas, acrescentando na análise suas próprias opiniões e sentimentos sobre esta relação" (Teske,
   2001) Neste período foram aprovadas duas pesquisas enviadas pelos professores que faziam parte do
   NES. Isso possibilitou que estes professores pudessem contar com bolsistas surdos de iniciação
   científica. Além dos bolsistas voluntários de pesquisa que se apresentavam para trabalharem nestes
   projetos. Uma das pesquisas aprovadas foi do Professor Ottmar Teske (História/Área de Sociologia).
   Sua pesquisa foi sobre "As Relações Políticas e Socias Dos Surdos Universitários: Realidade e
   Conseqüências do Ouvintismo". Esta pesquisa começou no mês de março e propunha radiografar estas
   relações dentro da própria Universidade. No final de outubro, este trabalho foi apresentado pelo professor
   e pelos seus bolsistas, que foram premiados como destaque especial pela qualidade e contribuição que
   a mesma trouxe para a comunidade acadêmica. Logicamente que ela foi uma sistematização de todo
   um estudo que vinha sendo realizado desde 1997, portanto já havia três anos de investigação entorno
   deste projeto. O mérito do professor e dos bolsistas consistiu no material coletado, filmagens,
   entrevistas, etc. e o rigor de análise utilizado para interpretar e compreender os dados e sugerir a partir
   dos mesmos algumas alternativas possíveis sobre o tema . Outros projetos foram propostos e todos
   aprovados com o aumento significativo de bolsistas surdos, o que possibilitou ao Núcleo propor ampliar
   seus horizontes com pesquisas e programas comunitários envolvendo não só a área de sociologia mas
   também o curso de Letras, Educação Física, Arquitetura e Urbanismo, Serviço Social, História etc.

    2001

  "No caso da qualificação e formação dos surdos Universitários, vejo que, cada vez mais é necessário os
  surdos se engajarem nas ações e lutas dos demais estudantes sem perder de vista sua própria luta.
  (Teske, 2000)  ." 
   Foi neste ano que o Núcleo se transformou em Centro de Estudos Surdos. Após uma modificação na
   estrutura acadêmica e administrativa da Universidade bem como os avanços no campo da pesquisa e
   programas comunitários bem como o número elevado de surdos na ULBRA, ou seja 50 alunos
   matriculados, 05 alunos já formados a partir do nosso programa, além dos mais variados convênios e
   parcerias firmadas com outras instituições nacionais e internacionais possibilitou-se a transformação,
   que já vinha se gestando a mais tempo. Podemos afirmar que a transformação do Núcleo para Centro
   não descaracterizou o projeto inicial, pelo contrário, agora o Centro de Estudos Surdos se tornou uma
   referência no que se refere a articulação política e social entre todos os cursos nos quais os surdos
   estão inseridos, bem como na organização de pesquisas e programas comunitários que envolve
   Escolas Públicas e Privadas do RS e a participação da Universidade através do Centro de Congressos,
   reuniões científicas e intercâmbios com outras Universidade públicas e privadas do país e algumas do
   exterior. Isso significa que o Centro de Estudos Surdos da ULBRA faz parte de um contexto maior que
   ultrapassa os muros da própria universidade, o que nos compromete também com a construção de
   Políticas Públicas que envolvam esta comunidade.

   CARACTERÍSTICA DO CENTRO DE ESTUDOS SURDOS DA ULBRA
   Ensino

   Os surdos tem aulas especiais na área de Língua Portuguesa, Ciências Sociais (Sociologia),
   Metodologia Científica e Cultura Religiosa. Os professores destas disciplinas são conhecedores da
   LIBRAS e suas aulas são ministradas utilizando esta linguagem.
   Há, atualmente na ULBRA, 47 estudantes que freqüentam cerca de 17 cursos, entre eles Educação
   Física, Pedagogia, Engenharia Mecânica, Geografia, Desenho Industrial, Informática, Fisioterapia,
   Farmácia, Biologia, Matemática, Educação Artística, Arquitetura, Serviço Social, História etc.
   Este trabalho, a nível universitário, possibilitou que quatro surdos pudessem concluir o ensino superior
   estando, assim, inseridos no mercado de trabalho.

   REGIMENTO INTERNO DO CENTRO DE ESTUDOS SURDOS DA ULBRA - CES/ULBRA

   O CES tem um Conselho Pedagógico formado pelo Diretor do CES, alunos bolsistas de Pesquisa do
   CES autorizados pela Pró Reitoria de Pesquisa, professores que tem horas liberadas para trabalhar no
   CES, um representante dos intérpretes.
   Os Conselheiros do CES se reunirão uma vez por mês, com o objetivo de discutir, encaminhar e 
   aprovar resoluções sobre as atividades do Centro.
   Os intérpretes serão selecionados pelos alunos surdos da ULBRA que deverão encaminhar o nome dos
   intérpretes para o Diretor do CES que autorizará ou não a contratação do intérprete bem como a
   quantidade de horas que o mesmo trabalhará. Todo dia um bolsista estará no turno da tarde e noite no
   CES para passar informações aos surdos que necessitarem de apoio - ver dias e horários afixados
   na sala do CES.

   Extensão

   São oferecidos Cursos de Língua de Sinais - LIBRAS - para funcionários, alunos, professores e
   comunidade em geral. Os professores destes cursos são alunos surdos habilitados para ministrar estas
   aulas. O referido curso abrange as seguintes etapa os Níveis I, II, III e IV - com 60 horas cada nível.

   Cursos Escrita da Língua de Sinais (ELS).

   O CES, através da Extensão  oferece um  Curso de Capacitação para Professores de surdos e em
   Novembro será lançado o curso para Formação de Tradutores/Interpretes em LIBRAS, através dos
   cursos seqüenciais.
   Pesquisas aprovadas e em andamento - Ano 2000 e 2001 Bolsistas de Iniciação Científica e Monitores
   do CES/ULBRA- Surdos e Ouvintes:

   1. "As relações políticas e sociais dos surdos universitários: realidade e conseqüências do ouvintismo" -
   Bolsistas de Iniciação Científica - 2000
   Janaína Pereira Cláudio (Surda, Arquitetura)
   Patrícia Da Silva Rodrigues (Surda, Fisioterapia)
   Fabiano Souto Rosa (Surdo, Pedagogia)
   Professor Ottmar Teske, orientador, história/área de sociologia, 2000).
 
   2. "O Ensino da Língua portuguesa para surdos a partir de uma perspectiva bilíngüe"
   Bolsistas de Iniciação Científica - 2000 e 2001
   Alexandre Morand Goés (Surdo, Letras)
   Antônio Alves (Ouvinte, Letras)
   Professora Lodenir Karnopp, orientadora, Letras).

   3. "As condições de estudo e trabalho da comunidade surda do Rio Grande Do Sul"
   Bolsistas de Iniciação Científica - 2001
   Janaína Pereira Cláudio (Surda, Arquitetura)
   Patrícia Silva Rodrigues (Surda, Fisioterapia)
   Professor Ottmar Teske, orientador, história/área de sociologia, 2001).

   4. "Os Intérpretes da Língua de Sinais Brasileira na Universidade..."
   Bolsistas Surdos voluntários do CES/ULBRA
   Professora Ronice Quadros, Orientadora, Letras, 2001.

   5. "A escrita da língua de sinais: uma possibilidade de desenvolvimento e aprendizagem dos surdos?"
   Bolsistas de Iniciação Científica - 2001
   Fabiano Souto Rosa (Surdo, Pedagogia)
   Professor Ottmar Teske, orientador, 2001.

   6. "Equilíbrio e Coordenação Motora de crianças e adolescentes surdos"
   Monitor Surdo e Surdos voluntários na pesquisa 
   William Dias Silveira (Surdo, Educação Física, Monitor)
   Professora Rosilene Diehl (Orientadora, Educação Física)


   02.Eles têm conhecimento da Língua Brasileira de Sinais - LIBRAS? Ou são oralizados?

   99% dos alunos surdos utilizam a LIBRAS para realizarem sua comunicação.

   03.Eles possuem surdez profunda? e/ou def.auditiva?

   A maioria são surdos - não trabalho com este conceito - se eles são profundos ou não - Todos se
   comunicam através das LIBRAS e recebem apoio neste sentido.

   04.A Faculdade possui intérprete?

   Nós não somos um Faculdade - mas sim uma UNIVERSIDADE com mais de 47 cursos. Atualmente
   trabalham na ULBRA - Universidade - 13 Intérpretes de Língua Brasileira de Sinais.
 
   Se possivel, gostaríamos que a Universidade enviasse a esses alunos, o e-mail ( feneis@feneis.com.br 
   mailto:feneis@feneis.com.br> ) da FENEIS, pra que  eles pudessem entrar em contato com a
   Federação. Esperando um parecer favorável de V.Sa, antecipamos agradecimentos.
   Atenciosamente,
   A maioria dos alunos surdos da ULBRA também tem contato com a FENEIS /RS.
   Nós, Centro de Estudos Surdos e FENEIS trabalhamos sempre em conjunto nos projetos!!

   Atenciosamente
   Prof. Ms. Ottmar Teske
   Diretor do Centro de Estudos Surdos/ULBRA

 

 

                                                                             Click Here!