O Centro de Estudos Surdos tem uma página na Internet - www.ulbra.br
estudos surdos. lá existem
várias informações oficiais
sobre nosso trabalho. Sobre vossa entrevista, não tem
problema, posso
responder, desde que a FENEIS
divulgue a fonte - e o autor das respostas. No caso Fonte
CES -
Diretor - Ottmar Teske
Vou responder vossas perguntas com a condição
de que ao serem divulgadas, necessariamente
precisam fazer a referência e que o material
produzido possa ser doado ao Centro de Estudos Surdos.
Nesta condição - responda as questões
abaixo:
01.Quantos alunos surdos estão cursando esta
Universidade? E em quais cursos e períodos?
Atualmente estudam 50 surdos na ULBRA, em 17
cursos diferentes. Segue em anexo um material
sobre este assunto Histórico
Ano 1995 e 1996
Possibilitou-se a entrada dos Surdos na
Universidade através do Vestibular onde a prova era
realizada
com acompanhamento de um Tradutor/Intérprete
de Língua Brasileira de Sinais e a prova de Redação
era avaliada a partir da construção lingüística
própria dos surdos. Neste processo entraram três (3)
surdos na ULBRA em diferentes cursos, Ed. Física,
Geografia e Informática. Estes enfrentaram muitas
dificuldades nas aulas e se comunicavam
precariamente (muito mal) com seus professores, colegas de
sala e a Comunidade Acadêmica de maneira
geral. Os preconceitos e estereótipos dos ouvintes em
relação àqueles surdos eram os mais
diferenciados e imagináveis. Isso ocorria pelo
desconhecimento
da cultura e da sociedade Surda.
Ano 1997 e 1998
A partir de 1997 estes surdos foram
contatados por um professor que sugeriu para a Pró-
Reitoria de
Graduação a criação de um Núcleo de
Estudos Surdos, hoje transformado em Centro Estudos
Surdos.
É importante salientar que todo esse esforço
realizado, recebeu total apoio na época, pelo Pró-Reitor
de
Graduação, que possibilitou o
comprometimento da Universidade como um todo para com esse
projeto.
Juntamente com o apoio oficial da instituição
os estudantes surdos se organizaram e começaram a
gerenciar este Núcleo, através de reuniões
constantes com o Professor coordenador que servia com elo
entre a Universidade e os alunos surdos. Isso
possibilitou a contratação pela Universidade dos
primeiros
Tradutores/intérpretes de Língua Brasileira
de Sinais. A partir dessa construção política e
de
acessibilidade possibilitou-se que mais
surdos pudessem ingressar nos diferentes cursos da ULBRA.
Nos anos seguintes duplicou e triplicou o número
de alunos surdos na Universidade. Porém com esse
aumento de surdos surgem novos e mais
complexos problemas. Os custos, a autonomia, a pesquisa
etc. exigiram novos diálogos com a Instituição
que foi aos poucos assimilando que este grupo era
diferente e que necessitaria de um apoio
diferenciado em todos os sentidos nos mais variados
cursos.
É importante salientar que através do apoio
da Diretoria de Extensão da época, os surdos iniciaram
os
Cursos de LIBRAS (Língua Brasileira de
Sinais) para a comunidade acadêmica e geral. A demanda
por
estes cursos era tão grande que
necessitou-se abrir vários cursos e depois vários níveis
desse curso.
Isso possibilitava um campo de emprego dos próprios
surdos da Universidade, que conseguiam pagar
parte do seu curso com o recurso que entrava
quando ministrava estes cursos de LIBRAS. Aos poucos
fomos superando os problemas de custos e a
falta de Tradutores/Intérpretes. Conquistou-se um espaço
próprio para o Núcleo que seria um lugar
dos surdos, gerenciado e administrado juntamente com os
próprios surdos.
Ano 1999
Neste período aumentou muito o número dos
surdos entrando na Universidade. Já ultrapassava vinte
alunos surdos estudando em dez cursos
diferentes. Os Cursos de Língua Brasileira de Sinais já
haviam
se consolidado, com um número cada vez maior
de interessados em realizá-los. Muitos funcionários,
professores (que recebem o curso
gratuitamente), colegas ouvintes e a comunidade de forma
geral
tinham entrado em contato com a língua e a
cultura surda. Isso possibilitou que nosso projeto pudesse
avançar de forma rápida e consciente.
Ano 2000
O NES iniciou sua divulgação através da
Internet. Com isso muitos surdos de outros Estados do
Brasil
entraram em contato conosco. Queriam informações
sobre esse trabalho e queriam estudar por aqui. É
importante lembrar que a ULBRA foi escolhida
pelos surdos, o que tira a artificialidade do processo.
Se existe um trabalho reconhecido nesta área
é porque desde o começo Universidade e Comunidade
Surda realizaram um intenso processo de diálogo
e de trocas. Este é um dos princípios mais
importantes que cultivamos até o momento.
Entramos no século XXI com esta proposta de sentarmos
na mesma mesa, debatermos a diferença,
praticando a mesma. A intenção é possibilitar os surdos
da
Universidade sinalizarem cada vez mais por si
discutindo com os ouvintes na diferença. Este debate foi
aprofundado neste período, quando analisávamos
os resultados das nossas primeiras pesquisas sobre
Estudos Surdos. Nesta época começaram a
chegar na ULBRA candidatos de Fortaleza-CE, Recife-PE
Rio de Janeiro - RJ e de diversas regiões do
Rio Grande do Sul. Iniciamos aulas só para surdos, como
Sociologia, Português, Método Científico,
juntamente com professores que conheciam LIBRAS.
"Dentro da academia os surdos tem
discutido estas falas, elas apareceram principalmente nas
inúmeras entrevistas e filmagens realizadas
pelos próprios surdos, e debatidos a exaustão depois de
realizadas, acrescentando na análise suas próprias
opiniões e sentimentos sobre esta relação" (Teske,
2001) Neste período foram aprovadas duas
pesquisas enviadas pelos professores que faziam parte do
NES. Isso possibilitou que estes professores
pudessem contar com bolsistas surdos de iniciação
científica. Além dos bolsistas voluntários
de pesquisa que se apresentavam para trabalharem nestes
projetos. Uma das pesquisas aprovadas foi do
Professor Ottmar Teske (História/Área de Sociologia).
Sua pesquisa foi sobre "As Relações
Políticas e Socias Dos Surdos Universitários: Realidade
e
Conseqüências do Ouvintismo". Esta
pesquisa começou no mês de março e propunha radiografar
estas
relações dentro da própria Universidade.
No final de outubro, este trabalho foi apresentado pelo
professor
e pelos seus bolsistas, que foram premiados
como destaque especial pela qualidade e contribuição que
a mesma trouxe para a comunidade acadêmica.
Logicamente que ela foi uma sistematização de todo
um estudo que vinha sendo realizado desde
1997, portanto já havia três anos de investigação
entorno
deste projeto. O mérito do professor e dos
bolsistas consistiu no material coletado, filmagens,
entrevistas, etc. e o rigor de análise
utilizado para interpretar e compreender os dados e
sugerir a partir
dos mesmos algumas alternativas possíveis
sobre o tema . Outros projetos foram propostos e todos
aprovados com o aumento significativo de
bolsistas surdos, o que possibilitou ao Núcleo propor
ampliar
seus horizontes com pesquisas e programas
comunitários envolvendo não só a área de sociologia
mas
também o curso de Letras, Educação Física,
Arquitetura e Urbanismo, Serviço Social, História etc.
2001
"No caso da qualificação e formação dos
surdos Universitários, vejo que, cada vez mais é necessário
os
surdos se engajarem nas ações e lutas dos demais
estudantes sem perder de vista sua própria luta.
(Teske, 2000) ."
Foi neste ano que o Núcleo se transformou em
Centro de Estudos Surdos. Após uma modificação na
estrutura acadêmica e administrativa da
Universidade bem como os avanços no campo da pesquisa e
programas comunitários bem como o número
elevado de surdos na ULBRA, ou seja 50 alunos
matriculados, 05 alunos já formados a partir
do nosso programa, além dos mais variados convênios e
parcerias firmadas com outras instituições
nacionais e internacionais possibilitou-se a transformação,
que já vinha se gestando a mais tempo.
Podemos afirmar que a transformação do Núcleo para
Centro
não descaracterizou o projeto inicial, pelo
contrário, agora o Centro de Estudos Surdos se tornou uma
referência no que se refere a articulação
política e social entre todos os cursos nos quais os
surdos
estão inseridos, bem como na organização
de pesquisas e programas comunitários que envolve
Escolas Públicas e Privadas do RS e a
participação da Universidade através do Centro de
Congressos,
reuniões científicas e intercâmbios com
outras Universidade públicas e privadas do país e
algumas do
exterior. Isso significa que o Centro de
Estudos Surdos da ULBRA faz parte de um contexto maior que
ultrapassa os muros da própria universidade,
o que nos compromete também com a construção de
Políticas Públicas que envolvam esta
comunidade.
CARACTERÍSTICA DO CENTRO DE ESTUDOS SURDOS
DA ULBRA
Ensino
Os surdos tem aulas especiais na área de Língua
Portuguesa, Ciências Sociais (Sociologia),
Metodologia Científica e Cultura Religiosa.
Os professores destas disciplinas são conhecedores da
LIBRAS e suas aulas são ministradas
utilizando esta linguagem.
Há, atualmente na ULBRA, 47 estudantes que
freqüentam cerca de 17 cursos, entre eles Educação
Física, Pedagogia, Engenharia Mecânica,
Geografia, Desenho Industrial, Informática, Fisioterapia,
Farmácia, Biologia, Matemática, Educação
Artística, Arquitetura, Serviço Social, História etc.
Este trabalho, a nível universitário,
possibilitou que quatro surdos pudessem concluir o ensino
superior
estando, assim, inseridos no mercado de
trabalho.
REGIMENTO INTERNO DO CENTRO DE ESTUDOS SURDOS
DA ULBRA - CES/ULBRA
O CES tem um Conselho Pedagógico formado
pelo Diretor do CES, alunos bolsistas de Pesquisa do
CES autorizados pela Pró Reitoria de
Pesquisa, professores que tem horas liberadas para
trabalhar no
CES, um representante dos intérpretes.
Os Conselheiros do CES se reunirão uma vez
por mês, com o objetivo de discutir, encaminhar e
aprovar resoluções sobre as atividades do
Centro.
Os intérpretes serão selecionados pelos
alunos surdos da ULBRA que deverão encaminhar o nome dos
intérpretes para o Diretor do CES que
autorizará ou não a contratação do intérprete bem
como a
quantidade de horas que o mesmo trabalhará.
Todo dia um bolsista estará no turno da tarde e noite no
CES para passar informações aos surdos que
necessitarem de apoio - ver dias e horários afixados
na sala do CES.
Extensão
São oferecidos Cursos de Língua de Sinais -
LIBRAS - para funcionários, alunos, professores e
comunidade em geral. Os professores destes
cursos são alunos surdos habilitados para ministrar estas
aulas. O referido curso abrange as seguintes
etapa os Níveis I, II, III e IV - com 60 horas cada nível.
Cursos Escrita da Língua de Sinais (ELS).
O CES, através da Extensão oferece um
Curso de Capacitação para Professores de surdos e em
Novembro será lançado o curso para Formação
de Tradutores/Interpretes em LIBRAS, através dos
cursos seqüenciais.
Pesquisas aprovadas e em andamento - Ano 2000
e 2001 Bolsistas de Iniciação Científica e Monitores
do CES/ULBRA- Surdos e Ouvintes:
1. "As relações políticas e sociais
dos surdos universitários: realidade e conseqüências do
ouvintismo" -
Bolsistas de Iniciação Científica - 2000
Janaína Pereira Cláudio (Surda,
Arquitetura)
Patrícia Da Silva Rodrigues (Surda,
Fisioterapia)
Fabiano Souto Rosa (Surdo, Pedagogia)
Professor Ottmar Teske, orientador, história/área
de sociologia, 2000).
2. "O Ensino da Língua portuguesa para
surdos a partir de uma perspectiva bilíngüe"
Bolsistas de Iniciação Científica - 2000 e
2001
Alexandre Morand Goés (Surdo, Letras)
Antônio Alves (Ouvinte, Letras)
Professora Lodenir Karnopp, orientadora,
Letras).
3. "As condições de estudo e trabalho
da comunidade surda do Rio Grande Do Sul"
Bolsistas de Iniciação Científica - 2001
Janaína Pereira Cláudio (Surda,
Arquitetura)
Patrícia Silva Rodrigues (Surda,
Fisioterapia)
Professor Ottmar Teske, orientador, história/área
de sociologia, 2001).
4. "Os Intérpretes da Língua de Sinais
Brasileira na Universidade..."
Bolsistas Surdos voluntários do CES/ULBRA
Professora Ronice Quadros, Orientadora,
Letras, 2001.
5. "A escrita da língua de sinais: uma
possibilidade de desenvolvimento e aprendizagem dos
surdos?"
Bolsistas de Iniciação Científica - 2001
Fabiano Souto Rosa (Surdo, Pedagogia)
Professor Ottmar Teske, orientador, 2001.
6. "Equilíbrio e Coordenação Motora
de crianças e adolescentes surdos"
Monitor Surdo e Surdos voluntários na
pesquisa
William Dias Silveira (Surdo, Educação Física,
Monitor)
Professora Rosilene Diehl (Orientadora, Educação
Física)
02.Eles têm conhecimento da Língua
Brasileira de Sinais - LIBRAS? Ou são oralizados?
99% dos alunos surdos utilizam a LIBRAS para
realizarem sua comunicação.
03.Eles possuem surdez profunda? e/ou
def.auditiva?
A maioria são surdos - não trabalho com
este conceito - se eles são profundos ou não - Todos se
comunicam através das LIBRAS e recebem apoio
neste sentido.
04.A Faculdade possui intérprete?
Nós não somos um Faculdade - mas sim uma
UNIVERSIDADE com mais de 47 cursos. Atualmente
trabalham na ULBRA - Universidade - 13 Intérpretes
de Língua Brasileira de Sinais.
Se possivel, gostaríamos que a Universidade
enviasse a esses alunos, o e-mail ( feneis@feneis.com.br
mailto:feneis@feneis.com.br>
) da FENEIS, pra que eles pudessem entrar em contato
com a
Federação. Esperando um parecer favorável
de V.Sa, antecipamos agradecimentos.
Atenciosamente,
A maioria dos alunos surdos da ULBRA também
tem contato com a FENEIS /RS.
Nós, Centro de Estudos Surdos e FENEIS
trabalhamos sempre em conjunto nos projetos!!
Atenciosamente
Prof. Ms. Ottmar Teske
Diretor do Centro de Estudos Surdos/ULBRA
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