|
Sitiodesordos.com.ar |
|
| Surdos garantem direitos em São Paulo | |
|
|
|
| Eles
somam 57 milhões no mundo, 2,2 milhões no Brasil, 150 mil na cidade de São
Paulo, 480 mil no Estado. Em geral, são pobres e carregam a surdez
principalmente como consequência de uma rubéola que a mãe, desinformada
e com acesso restrito ao pré-natal, menosprezou involuntariamente na sua
gestação.
A boa notícia é que estão cada vez mais unidos em associações e federações para pular o muro dos excluídos e reivindicar cidadania. Para começo de conversa, eles esclarecem que, em geral, não são mudos. A maioria fala com dificuldade de sonorização porque nunca ouviu a própria voz. Falam, em geral, alto porque não consegue medir a emissão do som. Avisam que é uma gafe enorme chamar de "deficiente auditivo" o surdo que nasceu desprovido da audição. Exigem a palavra surdo porque entendem que deficiente é aquele que é "ouvinte" e perde a audição ao longo da sua vida. A primeira grande vitória é ver o começo do cumprimento do artigo 7 da lei número 10.089, de Acessibilidade do Deficiente, sancionada em 2000, que, de um modo geral, assegura facilidades para a comunicação dos surdos. Em São Paulo, três faculdades estão cumprindo a lei e oferecendo intérpretes para alunos surdos: FMU, PUC e Domus-Rio Branco, mantida pela Fundação de Rotarianos. No Brasil, somente duas outras universidades, no Rio Grande do Sul, oferecem esse trabalho com sucesso desde antes da promulgação da lei. No último processo seletivo, em fevereiro, a Domus recebeu inscrição de três alunos surdos: Adilson Rodrigues Júnior e Moryse Vanessa Saruta -letras- e Patrícia Irene Van Gasse, aluna de pedagogia da faculdade de Educação. A experiência dos primeiros meses foi bem-sucedida. A FMU tem uma aluna surda em pedagogia e mantém a língua de sinais como parte do currículo da área, segundo Maria Cecília Panza Gonçalves da Silva, coordenadora do curso. A PUC também tem uma aluna no curso de pedagogia que é acompanhada por um intérprete em todas as aulas. Os surdos argumentam que enfrentam muitas dificuldades em seu dia-a-dia. Ficam isolados e sem condições de participar de um debate na sala de aula. São "esquecidos" pela família, por falta de diálogo, e praticamente excluídos do mercado. Quando vão a uma consulta médica, não conseguem se comunicar. A TV praticamente ignora sua existência, a tal ponto que, sob o impacto das imagens do desabamento do Edifício Palace 2, no Rio, no dia 22 de fevereiro de 1998, domingo de Carnaval, crianças surdas da Escola Especial da Granja Viana, em São Paulo, que viram o prédio desabar pela TV, chegaram na segunda-feira apavoradas com a idéia de que aquela tragédia poderia acontecer nos prédios onde moram, conta a fonoaudióloga Sandra Campos. Modelo - São Paulo tem apenas cinco escolas municipais para surdos. O governo do Estado atende a essa população com classes especiais não seriadas, o que quer dizer o seguinte: surdos de todas as séries estudam juntos, o que, em termos pedagógicos, é uma insanidade. A cidade tem o mesmo número de escolas particulares e uma, a Escola Especial para Crianças Surdas (EECS), mantida pela Fundação de Rotarianos de São Paulo. Todas têm fila de
espera, especialmente para o ensino fundamental, da 1ª a 4ª série. A escola tem horta, aulas de culinária e faz exposições. Os faxineiros conhecem a linguagem dos sinais. O critério de admissão: ser surdo e de baixa renda.
|
|